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terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Reforma e Missões - Ronaldo Lidório

A Presença da Igreja como agente de expansão da Palavra pregada

Ronaldo Lidório 
Via Veredas missionária 
http://veredasmissionarias.blogspot.com.br/2009/07/reforma-e-missoes-ronaldo-lidorio.html

A Reforma Protestante desencadeada com as 95 teses de Lutero divulgadas em 31 de outubro de 1517 foi sobretudo eclesiástica em um momento em que todos os olhares se voltavam para a reestruturação daquilo que a Igreja cria e vivia. Renasceram assim os dogmas evangélicos. A Sola Scriptura defendia uma Igreja centrada nas Escrituras, Palavra de Deus; a Sola Gratia reconhecia a salvação e vida cristã fundamentadas na Graça do Senhor e não nas obras humanas; a Sola Fide evocava a fé e o compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus; a Solus Christus anunciava que o próprio Cristo estava construindo Sua Igreja na terra sendo seu único Senhor e a Soli Deo Gloria enfatizava que a finalidade maior da Igreja era glorificar a Deus.

A Missão da Igreja, sua Vox Clamantis, não fez parte dos temas defendidos e pregados na Reforma Protestante de forma direta. Isto por um motivo óbvio: os reformadores como Lutero, Calvino e Zuínglio possuíam em suas mãos o grande desafio de reconduzir a Igreja à Palavra de Deus e assim todos os escritos foram revestidos por uma forte convicção eclesiológica e sem uma preocupação imediata com a missiologia. Isto não dilui, entretanto, a profunda ligação entre a reforma e a obra missionária por alguns motivos:

a) A Reforma levou a Igreja a crer que o curso de sua vida e razão de existir deveriam ser conduzidos pela Palavra de Deus (submetendo o próprio sacerdócio a este crivo bíblico) e foi justamente esta ênfase escriturística que despertou Lutero para a tradução da Palavra na língua do povo e inspirou posteriormente centenas de traduções populares em diversos idiomas fomentando posteriormente movimentos como a Wycliffe Bible Translators com a visão da tradução das Escrituras para todas as línguas entre todos os povos da terra. Hoje contamos com a Palavra do Senhor traduzida para 2.212 línguas vivas. João Calvino enfatizava que “... onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza... não há dúvida de que existe uma Igreja de Deus ”. O grande esforço missionário para a tradução bíblica resulta diretamente dos ensinos reformados.

b) A Reforma reavivou o culto onde todos os salvos, e não apenas o sacerdote, louvavam e buscavam a Deus. E Lutero em uma de suas primeiras atitudes colocou em linguagem comum os hinos entoados nos cultos. Esta convicção de que é possível ao homem comum louvar a Deus incorporou na Igreja pós reforma o pensamento multiétnico onde “o desejo de levar o culto a todos os homens” como disse Zuínglio não demorou a ressoar na Igreja culminando com o envio de missionários para o Ceilão pela Igreja Reformada holandesa no século XVII que disparou um progressivo envio missionário e expansão da fé Cristã nos séculos que viriam. Um culto vivo ao Deus vivo foi um dos pressupostos reformados que induziu a obra missionária a levar este culto a todos os homens transpondo barreiras linguísticas, culturais e geográficas.

c) A Reforma trouxe a Glória de Deus como motivo de vida da Igreja e isto definiu o curso de todo o movimento missionário pós reforma onde o estandarte de Cristo, e não da Igreja, era levado com a Palavra proclamada entre outros povos. Os morávios já testificavam isto quando o conde Zinzendorf, ao ser questionado sobre seu real motivo para tão expressivo e sacrificial movimento missionário, responde: “estou indo buscar para o Cordeiro o galardão do Seu sacrifício”. John Knox na segunda metade do século XVI escreveu que a Genebra de Calvino era “a mais perfeita escola de Cristo que jamais houve na terra desde a época dos apóstolos ”. O centro das atenções portanto era Cristo e nascia ali um modelo cristocêntrico de pregação do evangelho que marcaria o curso da história missionária nos séculos posteriores.

Mas sobretudo a Reforma Protestante passou a Igreja pelo crivo da Palavra e isto revelou-nos a nossa identidade bíblica, segundo o coração de Deus. Seguindo o esboço desta eclesiologia reformada poderemos concluir que somos uma comunidade chamada e salva pelo Senhor com uma finalidade na terra. Zuínglio, logo após manifestar sua intenção de passar a pregar apenas sermões expositivos em janeiro de 1519 afirmou em sua primeira prédica que “a salvação põe sobre nós a responsabilidade de obediência ”.

Seguindo esta ênfase eclesiológica sob cunho escriturístico vemos que Ekklesia, Igreja, é um termo composto que pode ser dividido em "Ek" (para fora de) e "Klesia", que vem de "Kaleo” (chamar). Etimologicamente pode, portanto, ser entendida como "chamada para fora de" o que a principio nos dá uma idéia mais real desta comunidade dos santos que entra em um templo mas precisa postar seus olhos além muros. Obviamente o termo também está ligado a "agrupamento de indivíduos" e de certa forma a "instituição" porém em todo o N.T. adquire o conceito de "comunidade dos santos" e fora MT. 16:18 e 18:17 está ausente dos evangelhos aparecendo, porém, 23 vezes em Atos e mais de 100 vezes em todo o Novo Testamento. Gostaria que déssemos atenção neste momento a alguns conceitos neotestamentários e reformados para esta comunidade dos filhos de Deus que foram demoradamente estudados pelos reformadores e impulsiona a Igreja hoje para uma obra missionária baseada na Sola Scriptura e para a glória de Deus.

1. Igreja de Deus

Comumente encontramos no N.T. a expressão "Igreja de Deus” ("Ekklesia tou Theou") o que evidencia que esta Igreja veio de Deus e pertence a Deus. É uma comunidade que possui Deus como fonte; é eterna, espiritual e universal. Não provém de elucidação humana ou de uma obsessão nutrida por um grupo de loucos há 20 séculos, antes foi articulada por Deus, formada por Deus, é pertencente a Deus e permanece ligada a Deus. Independente das deturpações da fé, das ramificações que se liberalizaram, dos que se perderam pelo caminho, a Igreja permanece, pois é posse de Deus.

Desta forma a “Ekklesia tou Theou” necessita caminhar de acordo com o palpitar do coração de Deus, a quem pertence, traduzindo para sua vida os desejos profundos deste coração. É baseados nesta verdade que necessitamos renovar nosso compromisso com a eclesiologia bíblica – um grupo de santos chamado por Deus para a inusitada tarefa de transtornarem o mundo com o evangelho de Cristo.

2. Igreja local

Também no N.T. encontramos o conceito de "igreja local". Em 1o Co 1:12 vemos, por exemplo, a expressão "Igreja de Deus que está em Corinto", onde "que está" (“te ouse”) indica a localidade da igreja. Mostra-nos que os santos de Corinto pertencem à Igreja, e não que a Igreja pertence à Corinto, o que deve ficar bem claro. Nos últimos 2.000 anos a Igreja adquiriu uma forte tendência de se "localizar" condicionando-se tão fortemente a uma cidade ou bairro a ponto de alguns chegarem a defender uma "demarcação" geográfica da responsabilidade da Igreja impedindo trabalhos fora da sua "jurisdição".

Num conceito neotestamentário "Igreja" é uma comunidade sem fronteiras e, portanto, creio que há necessidade de sacramentalizarmos mais os santos e menos os templos. Missões não é um programa eclesiástico, é a respiração da Igreja. Lembro que na tribo Konkomba no oeste africano há uma expressão que diz: “respiração é vida – não é preciso pensar para respirar; não é preciso pensar para viver”.

3. Igreja humana

Também dentro do conceito de "Igreja" nos deparamos no N.T. com um perfil bastante humano. Em 1 Ts 1:1 por exemplo vemos "igreja de Tessalônica" ("ekklesia Thesalonikeon") dando-nos a idéia daqueles que são Igreja também sendo Tessalônicos, cidadãos de Tessalônica.

Mostra-nos o fato de que por serem "Igreja" não significa que deixam de ser cidadãos, patriotas, carpinteiros, lavradores, comerciantes, desportistas, pais, mães ou filhos. "Igreja" no N.T. não é apresentada como uma comunidade alienante, mas como uma comunidade que abrange o homem em seu contexto humano fazendo-nos entender que esta Igreja não foi separada do mundo e sim purificada dentro dele. Mostra-nos também que na obra missionária não há super homens mas sim gente como a gente tendo o privilégio de espalhar o Evangelho de Cristo além fronteiras.

No livro de Atos a humanidade passo a passo era chocada com a fé daqueles que "transtornavam o mundo", onde o viver é Cristo, o objetivo era ganhar almas, a alegria era a adoração, o que os unia era a verdadeira comunhão, o amor era traduzido em ações, os fortes guiavam os fracos, as dificuldades eram enfrentadas com oração, a paz enchia os corações e todos, mesmo sem muita estrutura humana, possuíam como finalidade de vida apenas testemunhar do seu Mestre. Era uma Igreja visionária formada por gente limitada como nós.

Entretanto quando olhamos para esta Ekklesia do Senhor Jesus no contexto embrionário do Novo Testamento a pergunta que salta aos olhos é: qual deve ser a principal motivação dos santos para o envolvimento com a obra missionária mundial fazendo Cristo conhecido entre todos os povos da terra ? Nesta expectativa olhamos para Paulo o qual, como missiólogo, expôs aos Romanos a nossa real motivação bíblica e reformada.

Para isto é preciso reler Romanos 16:25-27 quando o apóstolo, encerrando esta carta de grande profundidade missiológica, diz:

"Ora, àquele que é poderoso para
vos confirmar segundo o meu evangelho “
(fala de Deus)

"conforme a revelação do mistério "
(o mistério é o Messias prometido a todos os povos)

"e foi dado a conhecer por meio das Escrituras Proféticas"
(este é o meio de Revelação)

"segundo o mandamento do Deus eterno"
(este é o meio de Eleição)

"para a obediência por fé "
(este é o meio de Salvação)

"entre todas as nações "
(Isto é Missões – a extensão do plano salvífico de Deus)
Mas qual o motivo para este plano divino que visa a redenção de todos os povos? Ele responde no verso 27:

"Ao Deus único e sábio seja dada glória ...”

É a glória de Deus. Este é o maior e mais importante motivo para nos envolvermos com o propósito de fazer Jesus conhecido até a última fronteira do país mais distante, ou da criança caída na esquina da nossa rua.

Martinho Lutero, em um sermão expositivo em 1513 baseado no Salmo 91 afirmou que “a glória de Deus precede a glória da Igreja”. É momento de renovar nosso compromisso com as Escrituras, reconhecer que existimos como Igreja pela graça de Deus, orar ardentemente por fidelidade de vidas e entender que o próprio Jesus está construindo a Sua Igreja na terra. E quando colocarmos as mãos no arado, sem olhar para trás, nos lembremos: a razão da nossa existência é a glória do Deus. Pois Deus é maior do que nós.

Fonte: MissioNEWS (Revista de Missiologia Online) - http://www.missionews.com.br

Via Veredas Missionária - link

sábado, 14 de outubro de 2017

Bibliografia de Missões

POSTAGEM PUBLICADO PELA VEREDAS MISSIONÁRIAS 

LIVROS SOBRE MISSÕES

Nosso colaborador Wesiley dos Santos Monteiro elaborou uma lista de livros de Missões publicados no Brasil, divididos por temas. Claro, não trata-se de lista abarcando TODOS os livros já publicados, mas apresenta um riquíssimo panorama (mais de 200 livros) para aqueles que desejam conhecer ou se aprofundar nas temáticas abordadas.


HISTÓRIA DAS MISSÕES
Missões: Até os Confins da Terra (Ruth Tucker, Vida Nova)
História do Movimento Missionário (Justo Gonzalez/C. Orlandi, Hagnos)
História da Missão (Bertil Ekström, Descoberta)
Perspectivas no Movimento Cristão Mundial (vários autores, Vida Nova)
História das Missões (Stephen Neil, Vida Nova)
História das Missões Moravianas (Florêncio Ataídes, Aleluia)
Correntes Emergentes da Igreja e Missões (Paul Pierson, Horizontes)
O Último Missionário (Carlos Caldas, Mundo Cristão)

TEOLOGIA DA MISSÃO
Missão Transformadora (David Bosch, EST/Sinodal)
Teologia Bíblica de Missões (George Peters, CPAD)
A Missão de Deus (Christopher Wright, Vida Nova)
A Missão do Povo de Deus (Christopher Wright, Vida Nova)
A Visão Missionária na Bíblia (Timóteo Carriker, Utimato)
A Igreja Missional na Bíblia (Michael Goheen, Vida Nova)
A Natureza Missionária da Igreja (Johannes Blawn, ASTE)
Povo Missionário, Povo de Deus (Charles van Engen, Vida Nova)
Nos Passos do Apóstolo Paulo: seus métodos e pregação nos dias atuais (eds. R L Plummer e J H Terry, Central Gospel)
Missões – vale a pena investir? (Russell Shedd, Vida Nova)
Missão e Igreja (Paulo César Nascimento, Betel Brasileiro)
Confins da Terra: que lugar é este? (Wilhan Gomes, Descoberta)
O Espírito Santo e a Missão da Igreja (Éder Silva, Lerban)
A Mensagem da Missão (Howard Peskett, ABU)
Ide e Fazei Discípulos: uma introdução às missões cristãs (Roger Greenway, Cultura Cristã)
A Missão Cristã no Mundo Moderno (John Stott, Ultimato)
O Que é Missão?: teologia bíblica de missão (J. Andrew Kirk, Descoberta)
Salmos Missiológicos: princípios bíblicos para a prática missionária da igreja (Eduardo Leandro, Descoberta)
Bíblia de Estudo Missionária (SBB)

ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA E CONTEXTUALIZAÇÃO TRANSCULTURAL
Costumes e Culturas (Eugene Nida, Vida Nova)
O Fator Melquisedeque (Don Richardson, Vida Nova)
A Comunicação Transcultural do Evangelho (David Hesselgrave, Vida Nova)
Diferentes Culturas: uma introdução à etnologia (Lothar Käser, Descoberta)
Contextualização: uma teologia do Evangelho e cultura (Bruce Nicholls, Vida Nova)
O Evangelho e a Diversidade das Culturas (Paul Hiebert, Vida Nova)
Contextualização Missionária (Bárbara Burns, Vida Nova)
Introdução à Antropologia Missionária (Ronaldo Lidório, Vida Nova)
Comunicação e Cultura (Ronaldo Lidório, Vida Nova)
De Todos os Povos (Jairo de Oliveira, Descoberta)
Missões e Culturas (Jairo de Oliveira, Abba)
Fenomenologia da Religião (Cácio Silva, Vida Nova)
Transformando Cosmovisões (Paul Hiebert, Vida Nova)
O Evangelho e a Cultura: leituras para a antropologia missionária (org. Tim Carriker, ebook do organizador)
Antropologia Missionária para o Séc. XXI (Hans Reifler, Descoberta)

RELATOS DE EXPERIÊNCIAS MISSIONÁRIAS
O Totem da Paz (Don Richardson, Betânia)
Senhores da Terra (Don Richardson, Betânia)
As Boas Novas em Todas as Línguas: a história de Cameron Townsend (Janet e Geoff Benge, Jocum)
Recuar Jamais: a história de Charles Thomas Studd (Janet e Geoff Benge, Jocum)
Por Todo o Mundo: a história de Loren Cunningham (Janet e Geoff Benge, Jocum)
Irmão André: o agente secreto de Deus (Janet e Geoff Benge, Jocum)
Heróis da Fé (Orlando Boyer, CPAD)
Serão Como as Estrelas (Marcia Tostes, Antioquia)
Missão em Cúcuta (José Satírio, CPAD)
Eu, Um Missionário? (Antonia Leonora Van der Meer, Ultimato)
Missiologia na Prática: um missionário na Polônia (Antero Kaczan, Ed. Betel)
Missões do Sertão aos Balcãs (José de Anchieta, CPAD)
Contos do Campo Missionário (Oswald Smith, Vida)
A História da Junta Administrativa de Missões (vários autores, JAMI)
Semeadores: missionários cristãos contemporâneos, I e II (ed. C. Eller Miranda, Betel Brasileiro)
Testemunhos de Missionários Ibero-Americanos (vários autores, CPAD)

MISSÕES e IGREJA PERSEGUIDA
Perseguidos: o ataque global aos cristãos (P. Marshal/L. Gilbert/N. Shea, Mundo Cristão)
Sangue, Sofrimento e Fé (vários autores, Ultimato)
O Contrabandista de Deus (Irmão André/John e Elizabeth Sherrill, Betânia)
A Fé que Persevera: guia essencial sobre a perseguição à Igreja (Ron Boyd-MacMillan, Portas Abertas)
Cristãos Secretos: o que acontece quando muçulmanos se convertem a Cristo (Irmão André/Al Jansen, Vida)
Força da Luz: a única esperança para o Oriente Médio (Irmão André/Al Jansen, Vida)
Torturado por Amor a Cristo (Richard Wurmbrand, Voz do Mártires)
Canção da Liberdade (Helen Berhane, Vida)
Fuga da Coreia do Norte (Paul Estabrooks, Portas Abertas)
Infiltrado por Deus: levando Bíblias secretamente (D. Langeveld/B. Hobrink, Portas Abertas)
Atrevi-me a Chamar-lhe de Pai (B. Sheikh/R. Schneider, Vida)
O Amor Venceu o Medo: o impressionante testemunho de um prisioneiro no Irã (D. Bauman, Vida)
Camboja: preparados para morrer (Todd e DeAnn Burke, Betânia)
A Cristofobia no Séc. XXI: entendendo a perseguição aos cristãos (Daniel Torres, edição do autor)
O Prisioneiro: um homem de Deus na prisão (José Dilson e Liane Reis, Z3)
O Julgamento (José Dilson e Liane Reis, Z3)

PROMOÇÃO DO ENGAJAMENTO MISSIONÁRIO
O Clamor do Mundo (Oswald Smith, Vida)
Missões: qual a sua parte? (George Verwer, Betânia)
Brasil: o gigante adormecido (David Botelho, Horizontes)
Ore pelas Nações: um guia completo de missões e intercessão pelo mundo (P. Johnstone/J. Mandryk/M. Wall, Mundo Cristão)
A Igreja é Maior do que Você Pensa (Patrick Johnstone, Horizontes)
Quem se importa? (Djalma Albuquerque, Descoberta)
Missões: o desafio continua (Ronaldo Lidório, Betânia)
A Missão de Interceder (Durvalina Bezerra, Betel Brasileiro)
Restaurando o Ardor Missionário (Ronaldo Lidório, CPAD)
O Melhor para Missões (Edison Queiroz, Descoberta)
Missões Brasileiras: em resposta ao clamor do mundo (vários autores, Betel Brasileiro)
Anunciai entre as Nações a sua Glória (vários autores, Esperança)
Missões: o Ide levado a sério (Thomas Hoover, CPAD)
Alegrem-se os Povos (John Piper, Cultura Cristã)
Novas Fronteiras (Ronaldo Lidório, APMT)
Fábrica de Missionários (Rubem Amorese, Ultimato)
A Igreja Apaixonada por Missões (Antonio Nasser, Abba)
Chamado, Choque e Carisma: considerações missiológicas para o século XXI (Jarbas Silva, Descoberta)
Quem Quer Ser Um Missionário? (V N Máisel, Pãexes)
Você Não Precisa de Um Chamado Missionário (Yago Martins, Concílio)
Vocacionados (Ronaldo Lidório, Betânia)
Subindo para Missões (José Bernardo, Salva Vidas)
Chamados por Deus: resgatando o sentido da vocação para o cristão hoje (diversos autores, Betel Brasileiro)
Reflexões de um Apaixonado por Missões (Jairo de Oliveira, Betel Brasileiro)
É Tempo de Deixar a Praia: histórias para inspirar a fé e a prática missionária (Timothée Paton, Betel Brasileiro)
Teatro Missionário – peças e jograis sobre Missões e Evangelização (Sammis Reachers e Vilma Pires, Veredas Missionárias)

ESTRATÉGIA e METODOLOGIA MISSIONÁRIAS
A Igreja Local e Missões (Edison Queiroz, Vida Nova)
Missões & Cia (Bertil Ekström e P. Mendes, Descoberta)
Esboço de Estratégia e Metodologia Missionária (Stephenson Araújo, Lerban)
Como Organizar o Ministério de Missões em sua Igreja (Sebastião Lúcio, Ultimato)
A Missão Invertida (Bendor-Samuel, Ultimato)
Antes de Florescer (Sergio da Silveira, Antioquia)
Evangelização ou Colonização? (Analzira Nascimento, Ultimato)
Missão, Missões, Antimissão (Analzira Nascimento/Jarbas Silva, Reflexão)
Missões para um Mundo Globalizado (Milton Santiago, Aleluia)
Missões na Era do Espírito Santo (John York, CPAD)
A Chave para o Problema Missionário (Andrew Murray, Horizontes)
Radical: um novo modelo de treinamento multicultural (Paul Pierson, Horizontes)
Uma Seara [Quase] Esquecida: o desafio de olhar os grupos religiosos como campos missionários (Eguinaldo de Souza, Betel Brasileiro)
Missões no Terceiro Milênio: 21 tendências para o século XXI (Stan Guthrie, Horizontes)
Missões: preparando aquele que vai (David Harley, Mundo Cristão)
Tropeços na Ação Missionária (Jarbas Silva, Descoberta)
Missionários e Recursos: parcerias no Reino de Deus (Mônica Mesquita, Betânia)
Colocando a Bíblia em Ação (H. Hill, Vida Nova)
A Criança, a Igreja e a Missão (Dan Brewster, Ultimato)
Vida, Ministério e Desafios no Campo Missionário: uma abordagem contemporânea sobre missões (Jairo de Oliveira, Abba)
Transformando Vocacionados em Modelos de Exportação (Pedro de Paula Filho, Descoberta)
Missiologia para o Século XXI: a consulta de Foz do Iguaçu (ed. William Taylor, Descoberta)

CUIDADO MISSIONÁRIO
A Missão de Enviar (Neal Pirolo, Descoberta)
Valioso Demais Para Que se Perca (ed. William Taylor, Descoberta)
Dignos de Cuidados (vários autores, Descoberta)
Perspectivas do Cuidado Missionário (vários autores, Betel Brasileiro)
Missionários Feridos: como cuidar dos que servem (Antonia Leonora Van der Meer, Ultimato)
Cuidado Integral do Missionário (Kelly O Donnell, Descoberta)
Missão Alerta: uma abordagem sobre o cuidado dos missionários (Hairton de Carvalho Jr., Aleluia)
O Guia do Missionário (Raquel Elana, Multifoco)
Florescendo em Outra Cultura (J. A. Dennett, Descoberta)
Choque Cultural (Myron Loss, Horizontes)
Missões do Jeito que Deus Quer: o papel da igreja no envio e sustento do missionário (Mônica de Mesquita, Cultura Cristã)
Famílias em Direção ao Campo (Janet Greenwood, Descoberta)
Criando Filhos entre Culturas: para cuidar melhor da família morando no exterior (org. Alícia Macedo, Ultimato)


OBRAS RELACIONADAS A REGIÕES OU GRUPOS ESPECÍFICOS
ÁFRICA
Espada e Bisturi: um cirurgião de fé e coragem na África (R. L. Foster, Descoberta)
Konkombas (Ronaldo Lidório, CPAD)
Crônicas Missionárias: o dia a dia do campo africano (Sebastião Lúcio, Ultimato)
Ecos da África (Joaquim Guerreiro, CPAD)
África: a alegria vem pela manhã – um conto africano (Ronaldo Lidório, Betânia)
A Casa: Diário de uma Missão (Hans e Úrsula Fuchs, Descoberta)
Missão Possível: Angola (Peter Widmer, Esperança)
Missões na África: o Brasil e sua geração missionária (Robson Oliveira, edição do autor)
Deus Sabe o Que Faz (Delci dos Santos, Antioquia)
Amor além das Fronteiras: cartas que contam uma história de amor a Deus e aos africanos (Jairo de Oliveira, Reflexão)

MUÇULMANOS
Esperança para os Muçulmanos (D. McCurry, Descoberta)
Islamismo: a grande batalha espiritual (Tariq Al-Salam, AD Santos)
O Islã sem Véu (Ergun e Emir Caner, Vida)
Segredos do Alcorão (Dom Richardson, Horizontes)
Descobrindo o Mundo do Islã (K. Swartley, Esperança)
Q3 Missões: qualquer pessoa, qualquer lugar, qualquer hora (Mike Shipman, Esperança)
Filhas do Islã (Miriam Adeney, Horizontes)
Entenda o Islã (Christine Schirrmacher, Vida Nova)
O Outro Lado do Islã (R C Sproul/A Saleeb, CPAD)
Testemunho Cristão Junto aos Muçulmanos (Comissão de Lausanne, Ultimato)
Movimentos Miraculosos: muçulmanos que amam Jesus (Jerry Trousdale, Esperança)
Um Vento na Casa do Islã (David Garrison, Esperança)
Apresentando Jesus ao Islã (J. D. Greear, Cultura Cristã)
Procurei Alá, Encontrei Jesus (N. A. Qureshi, Cultura Cristã)
Compartilhando Jesus com os Muçulmanos (Phil Parshal, Esperança)
O Evangelho para os Muçulmanos (T. Anyabwile, Fiel)
Como Evangelizar os Mulçumanos (Elizeu Martins, CPAD)
Da Semente ao Fruto (ed. J D. Woodberry, Descoberta)
Anjos do Deserto (Raquel Elana, JAMI)
Islamismo: o maior desafio em todo mundo (Rachid K. Abdalla, AD Santos)

CHINA
Lírios entre Espinhos (Danyun, Horizontes)
O Homem do Céu (Irmão Yun/P. Hattaway, Betânia)
Chuva na Montanha: uma nova biografia de James O. Fraser (E. Crossman, Horizontes)
Aventura na China: a história de Gladys Aylward (Janet e Geoff Benge, Jocum)
Deus Chegou ao Tibete (Alan Maberly, Horizontes)
Cartas do Campo: conversas sobre a prática missionária (Lian Godoi, Betel Brasileiro)
Deus é Vermelho: como o cristianismo sobreviveu na China comunista (L. Yiwu, Mundo Cristão)

ÍNDIA
O Homem que Orava (F. A. McGaw, CPAD)
Índia: a fronteira do sonho (Robson S. Oliveira, MCM)
O Apóstolo dos Pés Sangrentos (Boanerges Ribeiro, CPAD)

INDÍGENAS
De Todas as Tribos (Isaac de Souza, Ultimato)
Indígenas do Brasil (Vários Autores, Ultimato)
A Questão Indígena (Vários Autores, Ultimato)
A Vida de David Brainerd entre os Índios (Jonathan Edwards, Fiel)
Por esta Cruz te Matarei (Bruce Olson, Vida)
Através dos Portais do Esplendor (Elisabeth Elliot, Vida Nova)
O Piloto das Selvas (R T Ritt/W Kaschel, Asas de Socorro)
Quem me Dera Conhecer a Deus (Silas e Eldna Lima, Descoberta)
Nossa História, Nossa Missão! Povos da Floresta (Daniel e Fátima Batistela, Reflexão)
Sua Voz Ecoa nas Selvas (Sofia Muller, Transcultural)
Esperando a Volta do Criador (Onésimo de Castro, Transcultural)
Chamado Radical (Bráulia Ribeiro, Ultimato)
Pakau (Kelem Gaspar, CPAD)   
Beth e Eu: histórias da aldeia (Sandra Oliveira, JOCUM)
O Cacique, a Cigarra e Eu: a história dos primeiros missionários numa aldeia caiapó (Dale Snyder, MEIB)

SERTANEJOS
Missionários para o Sertão Nordestino (Ildemar Medeiros, Betel Brasileiro)
O Grito do Sertão Nordestino (org. Beat Roggensinger, Esperança)
Cidades do Interior (Sérgio Lyra, Betel Brasileiro)
Diaconia no Contexto Nordestino (vários autores, Sinodal)

CIGANOS
Ciganos: um desafio missionário esquecido pela Igreja (Igor Shimura, Descoberta)
Duvelismo: identidade e Pluralidade Cigana (Igor Shimura, Descoberta)

MISSÕES URBANAS
Um Jumentinho na Avenida (Marcos Monteiro, Ultimato)
Cidades para a Glória de Deus (Sérgio Lyra, Betel Brasileiro)
Igreja Centrada (Timothy Keller, Vida Nova)
De Cidade em Cidade (Jorge Barro, Descoberta)
A Cidade na Missão de Deus (Arzemiro Hoffmann, Sinodal)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Curso Básico de Missões e Evangelismo Gratuito - 2017-2018


Paz do senhor amados, venho através deste post indicar esse belo curso de missões onde estudamos e analisamos, um curso rápido mais recheado de conhecimento, CPO Brasil está de parabéns pelo curso. faça sua inscrição você não se arrepender.



O Curso é Gratuito

Sim, o investimento para realização desde curso foi totalmente REMOVIDO. Não existem custos de mensalidades, anuidades e nenhum outro tipo de cobrança para realização e conclusão do curso.

Como o Curso Funciona:

O Curso é realizado Online neste site através da 'Área do Aluno'. O Curso possui 3 Aulas, cada uma com Apostila Online e Vídeo de Apoio. Após responder as provas das aulas e obtendo o mínimo de 7 pontos, você concluirá o curso e será disponibilizado o seu Certificado Online de Conclusão do Curso gratuitamente.

Caso não haja aproveitamento mínimo nas provas o aluno poderá estudar novamente o conteúdo e refazer a prova quando desejar. Mas informamos que o conteúdo explicativo do curso é muito claro e objetivo onde não será difícil atingir um bom resultado.

O CURSO É LIBERADO AUTOMATICAMENTE APÓS A INSCRIÇÃO

Geografia Missionária da Índia - Paul Mathews


Palestra realizada por Paul Mathews, missionário na Índia, na conferência bienal Todos os Povos Te Louvem Aliança realizado em Belo Horizonte - MG em novembro de 2016 pelo Grupo Povos e Línguas.

Vídeo completo:



Via: Veredas Missionaria 

sábado, 4 de março de 2017

Missiologia e a Teologia da Prosperidade


Introdução
Nicodemos, membro do Sinédrio, o supremo tribunal dos judeus, foi procurar Jesus à noite, talvez com receio de ser visto com o Mestre, com uma argumentação interessante: “Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3:2)

Porém, a resposta de Jesus foi mais interessante: “A isto respondeu Jesus: em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3:3)

Jesus está mostrando que o reino de Deus não pode ser conhecido do lado de fora pelas evidências que sustentem as argumentações humanas, mas que o reino de Deus só pode ser visto e reconhecido em suas verdadeiras virtudes por quem estiver dentro dele.
A réplica de Nicodemos a Jesus foi proporcional ao que ele via e entendia: “Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (Jo 3:4)

Diante disso, Jesus fechou a questão, dizendo: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino dos céus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (Jo 3:5-7)

Portanto, o reino de Deus tem na encarnação e Obra do Cristo e na sua consequência maior, o novo nascimento, o ápice das suas manifestações, o que parece ter mudado na concepção de muitos que dizem enxergar o reino estando do lado de dentro.
Sim, porque nos dias atuais quando a presença e a influência da teologia da prosperidade atingem até mesmo os redutos mais conservadores da fé cristã: não é mais Cristo e o novo nascimento, o ser uma nova criatura em Cristo Jesus, o grande sinal do reino de Deus entre nós.
O reino de Deus está entre nós porque agora somos prósperos e abençoados; não somos mais cauda, somos cabeça; não somos mais empregados, somos patrões; determinamos pela fé o que queremos de Deus e por aí vai.

Mais do que um produto da mídia habilmente manipulado, o que estamos assistindo no nosso país é um ataque frontal aos alicerces da fé reformada, cujas consequências atingem a obra missionária não somente na questão das contribuições financeiras e na disponibilidade de vocacionados, mas principalmente na teologia que norteia a nossa missiologia.

As igrejas adeptas da teologia da prosperidade estão repletas de “abençoados e prósperos”, mas não de verdadeiros discípulos de Cristo nascidos de novo; uma grande contingente resultante de um sincretismo tão perigoso quanto ao visto em várias localidades da África, onde a prática cristã e o ocultismo convivem em igual escala de importância.

Portanto, faz-se necessário refletirmos neste texto do evangelho de João, no capítulo 3, versículos 1-21, acerca dos impactos da teologia da prosperidade na teologia que norteia a nossa missiologia, tendo como premissas:

A centralidade da Cruz
A proclamação da Missão de Cristo
A Centralidade da Cruz (1ª Premissa)
Os sinais de quem via o reino de Deus pelo lado de fora inquietaram o coração de Nicodemos, assim como os supostos milagres da teologia da prosperidade preparados e veiculados na mídia tem inquietado o coração de muitas lideranças evangélicas brasileiras.
A grande maioria ávida em repetir as receitas de sucesso das grandes igrejas neopentecostais, reconfiguraram suas liturgias para atrair mais pessoas e consequentemente maiores arrecadações, mas não se preocuparam com os pressupostos teológicos preteridos em prol da adoção da “novidade” de sucesso financeiro e ministerial.

A centralidade da cruz foi o maior deles. Foi trocada pela centralidade de uma fé pragmática e de resultados extremamente duvidosos.
Jesus disse a Nicodemos: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem. E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3:13-15)
O propósito de Deus foi concentrar no Cristo levantado na cruz as esperanças de uma nova vida para todo aquele que Nele crer.

O sangue de Cristo é a oferta única e suficiente para esta nova vida e não os valores depositados num envelope ou as unções especiais, conforme o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Justificados, pois, mediante a fé temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente, acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5:1,2) .

O uso da fé, tão propagado pelos neopentecostais não é uma resposta à graça de Deus que, em Cristo Jesus concede a vida eterna a todo que Nele crer, mas sim uma proposta negociável fundamentada num paganismo que acredita poder manipular a divindade, a fim de obter seus benefícios, mediante o escambo espiritual. Parece-nos que a realidade das palavras do apóstolo aos Efésios foi esquecida: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:1-9)

Não mais a cruz, mas a campanha fundamentada na oferta financeira é a porta que se abre no céu para toda sorte de benefício terreno. Assim, as palavras do apóstolo Paulo perderam o sentido para os adeptos da teologia da prosperidade: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra de reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Co 5:17-21)

Descentralizar a cruz é desenvolver uma missiologia de resultados justificados pela quantidade de templos inaugurados, pelas metas de arrecadação alcançadas e pelo público literalmente pagante presente nas reuniões de fé e milagres e não mais pela obediência à ordem de Jesus: ”Ide, portanto, fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou conosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (Mt 28:19,20).

Portanto, a centralidade da cruz deve ser refletida na nossa pregação, cujo mote maior não deve ser a popularidade, mas o compromisso inegociável com a verdade das Escrituras Sagradas, bem retratada pelo apóstolo Paulo à igreja em Corinto: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1 Co 1:21-24)

A pregação centrada na cruz não fechará as portas da teologia da prosperidade, mas certamente levará pessoas a uma fé cristocêntrica, conforme o apóstolo Paulo escreveu à igreja em Corinto: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza e temor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” (1 Co 2:2-5)

Tais pessoas serão potenciais candidatos ao campo missionário, formadas com bases teológicas que não negociam sua ética e seu conteúdo, refletindo-as na vida daqueles que hoje ainda nada ouviram de Cristo.
Façamos da cruz a nossa mensagem para “Jerusalém, Judéia, Samaria e até aos confins da terra”.

A Proclamação da Missão de Cristo (2ª Premissa)
Jesus explicou sua missão a Nicodemos nas seguintes palavras: “assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3:14,15)

Em seguida, Jesus explica o fator motivador da sua missão, o amor de Deus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16)
Este amor se manifestou de “tal maneira”, ou seja, na cruz onde Cristo foi levantado à semelhança à serpente no deserto levantada por Moisés.
O mundo estava sentenciado no “corredor da morte eterna”, mas o amor de Deus se manifestou em Cristo Jesus para dar vida eterna aos que crerem no Filho Bendito.

Está foi e é a missão de Jesus: tirar o pecador do “corredor da morte eterna”, conforme o apóstolo Paulo escreveu aos Colossenses: “Ele nos libertoouo do império das trevas e nos transportou ao reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção a remissão dos pecados.” (Cl 1:13,14).
A Igreja participa desta missão no poder do Espírito Santo, conforme o apóstolo Pedro escreveu: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1 Pe 2:9)

Considerando a missão de Jesus, a teologia da prosperidade é uma “anti-missão”, pois além de desfocar a centralidade da cruz, desfoca também a realidade das pessoas para um “mundo imaginário”, à margem da missão de Jesus.
Ela não considera que os pecadores estejam no “corredor da morte eterna”, nem tampouco advoga um mínimo de justiça pelos que sofrem.
Ela advoga em causa própria oferecendo uma solução irreal para os problemas do povo, escondendo o grande e maior vilão de todo ser humano: o pecado.

Na sua “anti-missão” a teologia da prosperidade consegue ofuscar a tenebrosa realidade do pecado, através do brilho falso do materialismo, a ponto de concentrar todas as esperanças do povo no consumismo tão em voga nos dias atuais.
Daí, a pergunta que se faz num cenário como este: Jesus morreu na cruz por que e para quê, se o nosso grande problema não é o pecado?
As palavras do apóstolo Paulo aos Romanos sequer são lidas e pregadas nos púlpitos neopentecostais: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5:12)

Benção e pecado convivem juntos na teologia da prosperidade, porque afinal de contas, o que importa é o carro novo na garagem, a mutação quase que automática de empregado para patrão, a certeza que as coisas a serem conquistadas dependem somente da aplicação financeira celestial, fixada em juros estratosféricos e resgate imediato.

Esta é a esperança oferecida pela teologia da prosperidade, a qual tem transformado e transtornado muitos púlpitos que outrora pregavam a mensagem da cruz.

Diferentemente, de tudo isso, o apóstolo Paulo escreveu à Igreja em Corinto que estava sendo afetada por ensinamentos que afirmavam não haver ressurreição dos mortos: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Co 15:19)
A “anti-missão” da teologia da prosperidade ignora o pecado e suas consequências eternas, fortalecendo a ideia da inexistência da eternidade, pois o que importa é desfrutar hoje do que Deus prometeu e tem que cumprir, porque a fé está em ação, determinando as bênçãos desejadas.
Jesus disse a Nicodemos o propósito da sua missão: “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3:17)

A “anti-missão” da teologia da prosperidade afirma que o grande inimigo das pessoas é satanás que não as deixa prosperar, que as faz adoecer, que destrói suas famílias, deixando-as numa condição humilhante.

Que satanás é o grande inimigo, ninguém discute. A questão é se o seu objetivo seria tão somente destruir o que é visível, até porque se for isso, fica mais fácil resolver.

Nas palavras do apóstolo Paulo à Igreja em Corinto não parece ser isso: “Mas, se o nosso evangelho está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2 Co 4:3-6)

A “anti-missão” da teologia da prosperidade corrobora com o objetivo de satanás em manter as pessoas cegas quanto a “iluminação do conhecimento de Deus na face de Cristo”.

Na verdade, esta “anti-missão” estabelece um cativeiro disfarçado que leva o nome de Deus, mediante um apelo popular massivo travestido num falso evangelho, customizado pelos líderes neopentecostais a partir das suas revelações pessoais que contradizem as Escrituras Sagradas.
As advertências do apóstolo Paulo aos Gálatas são mais do que apropriadas nos dias de hoje às igrejas, outrora firmadas nas Escrituras, mas que se deixaram fascinar pela “anti-missão” da teologia da prosperidade: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” (Gl 1:6-9)

Quais os resultados podem ser esperados do cativeiro da “anti-missão”? O apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas anteviu a frustração que aguarda muita gente: “Para a liberdade foi que Cristo vos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. Porque nós pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém de fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor. Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade/” (Gl 5:1-7)

Agora, é preciso considerar que Paulo escreveu a uma igreja, que se deixava levar pela doutrina dos judaizantes que confinava a salvação à observância da lei e não à fé em Cristo Jesus. E aqueles que nunca ouviram do evangelho e se convertem através da “anti-missão” da teologia da prosperidade?

O apóstolo Pedro escrevendo sobre os falsos mestres definiu o prejuízo que os mesmos causam aos incrédulos que estão se aproximando da fé, prejuízos esses semelhantes aos causados pela “anti-missão” da teologia da prosperidade: “Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas pelo temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.” (2 Pe 2:17-19)

Os resultados da “anti-missão” da teologia da prosperidade implicam numa rota de colisão com a missão de Jesus: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (Jo 3:18,19)

Esta colisão se deve ao fato de que a “anti-missão” não tem como aplicar a luz à real condição do mundo sem Cristo, uma vez que se isto ocorrer as pessoas poderão enxergar seus pecados e a única possibilidade de serem livres deles, mediante a missão de Cristo na cruz.
Tais pessoas continuam em trevas, sem saber que poderiam ser salvas do que realmente as aprisiona: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com a sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. E a vós, outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” (Cl 2:8-15)

Sem saber, estão cada vez mais expostas ao julgamento que as tirará do corredor da morte para lança-las definitivamente na morte eterna.
Portanto, é preciso resgatar a missão de Jesus através da sua proclamação dentro e fora das igrejas, mediante a denúncia e rejeição da “anti-missão”, através do ensino das Escrituras Sagradas.
Para tanto, devemos cultivar ministérios alicerçados numa integridade pessoal e ministerial advindas das Escrituras Sagradas, ao invés de nos fascinarmos com as promessas de crescimento e fama, pois, já sabemos que o crescimento vem Dele.

Conclusão:
Como em outros momentos da história, a Igreja custa perceber as portas do inferno, salvo alguns do seu escalão. Foi assim com o nazismo na Alemanha e com as ditaduras militares que assolam até hoje, principalmente, os países da América Latina e a África.
Guardadas as devidas proporções, o mesmo fenômeno se repete com a teologia da prosperidade que desembarcou e fincou raízes no Brasil, aproveitando-se não apenas do subdesenvolvimento social e econômico, como também do relativismo bíblico que assola os rincões ministeriais da nação.

Muitos ainda custam acreditar que é impossível alinhar uma missiologia que promova a missão de Cristo, a partir de uma teologia orientada pelos ventos da teologia da prosperidade.
Neste cenário, os que professam a fé reformada que resulta numa missiologia transformadora, devem estar conscientes que não apenas militamos contra uma mentira assumida, como também, contra uma mentira camuflada.
O nosso consolo e esperança está na soberania de Deus que, a despeito de tudo isso, “vela em cumprir a sua palavra”.
Que Deus nos abençoe e guarde.

Fonte: http://www.missaoavanco.com.br/site/?p=2462
Via: Veredas Missionária
Missão Avanço
Wellison Barbosa dos Santos

O princípio básico para o sucesso - Chamado e envio correto

INTRODUÇÃO
Creio que grande parte de nosso sucesso se assim posso dizer, no campo missionário é saber esperar o tempo de Deus, já que o missionário é aquele que é levado por Deus ao campo para simplesmente ver o que o nosso grande Deus é capaz de fazer.
Qual seria o grande modelo Bíblico de chamado e envio que poderia nos colocar com os pés no chão para evitarmos tragédias futuras?
Ex:
• Volta prematura por falta de retaguarda de oração e sustento.
• Falta de preparo adequado.
• Tratamento de caráter: submissão, obediência e fidelidade.
** 40% dos candidatos ao campo missionário voltam antes do tempo.

CHAMADO DE PAULO
1º. Deus o chamou.
“Disse-lhe porém, o Senhor: Vai! Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel. Eu lhe mostrarei o quanto deve padecer pelo meu nome.” Atos 9:15,16
2º. O Espírito Santo comunicou a liderança da igreja.
“Na igreja de Antioquia havia alguns profetas e mestres, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Niger, Lucio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então depois de jejuarem e orarem, puseram sobre elees as mãos, e os despediram. Assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Seleucia, e dali navegaram para Chipre”. Atos 13:1,4.

• Quem chama? O Espírito Santo.
• A quem comunica? 1º. Ao comissionado “atos 9:5,16”, depois aos seus líderes “atos 13:1,4”.
• Quem envia? O Espírito Santo através dos lideres da igreja, já que o missionário é extensão da igreja no campo.
• Qual o tempo do chamado para o envio? O tempo é do Espírito Santo, que nos chama e revela aos nossos líderes.
Deus quer nos preparar:
• Deus vai usar pessoas e situações para nos provar.
• Deus vai usar nossa liderança para nos dizer alguns “nãos”.
• Deus vai testar nosso caráter. “O CARATER ANTECEDE A MISSÃO”.
• Deus vai testar nossa submissão, obediência e fidelidade a nossa liderança, ao chamado e ao Senhor.
O espírito Santo não trás confusão. Ele é sábio!

Alguns princípios do envio:
Vs. 2 “Apartai-me” – Grego:aphorisate (aphoriso) = Separar p/ um serviço, estando ainda ligado a igreja.
Vs. 3 “Puseram sobre eles as mãos” – Grego: Ephitente tas cheiras = Transferência de autoridade eclesiástica.
Vs. 3 “Onde parecia que estava tudo certo, foram jejuar e orar para despedi-los, tudo com muita responsabilidade e no vs. 4 “enviados pelo Espírito Santo” parece contraditório, já que é a igreja que está enviando, mas nos mostra uma lição, onde o Espírito Santo envia através da igreja, já que a igreja é o templo Dele.”

Conclusão:
Há muita empolgação para o campo missionário, mas temos que ser maduros o suficiente para não abortarmos o missionário gerado pelo Espírito Santo na igreja e também não podemos enviar ninguém prematuramente, há um tempo de Deus e que Ele nos ajude a entendermos isto.

PR. ELIAS DE OLIVEIRA LARANJO
Links: http://www.missaoavanco.com.br/

Via veredas missionária

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Não existem países fechados




Nenhum país está fechado para pessoas, mesmo sendo cristãs, que trazem produtos e habilidades necessários. Qualquer um que pode suprir os produtos e as habilidades de que o país precisa é bem-vindo.
Se você diz a seu vizinho ou colega descrente que a Arábia Saudita ou a China são países fechados, ele vai perguntar: O que você quer dizer com isso? Conheço um monte de gente que vai lá e que trabalha lá. O que você quer dizer com fechado?
“Fechado” é um termo muito restrito ao linguajar missionário. Ninguém usa essa palavra fora do contexto de crentes com visão missionária. Ela não faz sentido para os descrentes e nem mesmo para a maioria dos crentes.

Se você diz que a Coreia do Norte é um país fechado, as pessoas irão compreender. O líder paranoico e despótico da Coreia do Norte, Kim Jong-un, limita quase totalmente a entrada de estrangeiros – mas não deixa de permitir a entrada de produtos e profissionais essenciais. E se você disser que Cuba está fechada para os americanos, as pessoas também irão entender.

Na verdade, todo país precisa e deixa entrar produtos e experiência de fora, pelo menos até certo ponto. Muitos, contudo, não concedem vistos para religiosos profissionais, exceto para os que trabalham para a religião oficial. De 70 a 80% restringem a emissão de vistos para missionários, mas dão as boas-vindas a outros profissionais, sem ligar para sua religião. O mundo está aberto para profissionais cristãos com as habilidades e produtos de que necessita. Todos podem entrar legalmente. Não sabemos de nenhum país em que fazedores de tendas não podem entrar, incluindo a Coreia do Norte.

As palavras influenciam o pensamento. A palavra “fechado” distorce nossa ideia de países fechados. Achamos que países fechados são maus e totalmente fechados ao evangelho. Mas isso é preconceito. Essas nações não rejeitam apenas o cristianismo, mas todas as religiões estrangeiras. Além disso, rejeitar o cristianismo não é a mesma coisa que rejeitar o evangelho. As pessoas de cada lugar nem podem deixar de considerar o cristianismo como religião estrangeira, enquanto não o virem sendo demonstrado e transmitido por testemunhas presentes. É por isso que fazedores de tendas são essenciais. Mesmo quando se permite a entrada de missionários, seu testemunho sempre é desvalorizado por se tratar de “religiosos profissionais remunerados”.

Um taiwanês respondeu, quando perguntado sobre o que achava do trabalho dos missionários em Taiwan, que eles recebem para fazer convertidos. Somente fazedores de tendas podem apresentar a autenticidade e o poder do evangelho na vida diária.
Todos os países são fechados para política, cultura e religião que vêm de fora e lhes são impostas. Eles querem decidir seu próprio destino e desenvolver a si mesmos como bem entendem. Sim, motivação maligna – ganância, privilégios, poder e posição – os corrompem e amarram muito. E nações totalitárias com frequência são as mais opressivas, corruptas e subdesenvolvidas. Mas o desejo dos povos de determinar seu próprio destino e criar valor verdadeiro é uma expressão da imagem de Deus em nós.

Nós como cristãos deveríamos entender isso melhor que ninguém. Deveríamos parar de considerar essas nações totalmente fechadas para o evangelho.
Dois outros pensamentos acompanham o conceito de países fechados: que, para espalhar o evangelho, os missionários é que têm de ir, e que precisamos preparar obreiros em tempo integral, sustentados por doações, para continuar a espalhá-lo. Em nenhum lugar a Bíblia ensina isso. Na verdade, a grande expansão do evangelho para além de Judeia e Samaria registrada na segunda parte de Atos foi efetuada por fazedores de tendas, isto é, por trabalhadores autossustendados que integravam trabalho com testemunho.

Fazer tendas confere poder e credibilidade ao evangelho. A evangelização é multiplicada pela ativação de discipuladores leigos. E cria um padrão de liderança leiga e pastoreio sem que se precise esperar por sustento e treinamento profissional de ministros. Líderes leigos levantados por Deus servem de exemplos poderosos de discipulado, como súditos verdadeiros, não pagos, do Senhor dos senhores no mundo. E a estratégia de fazer tendas gera muito mais líderes para a igreja e a missão.

Portanto, paremos de chamar os países de fechados ou de acesso restrito ou com outros termos que traem os óculos coloridos de obreiros em tempo integral. Devemos reconhecer o tremendo chamado e capacidade de trabalhadores leigos, tanto de fora como do lugar. E, por fim, entendamos que todos os países estão de braços abertos para cristãos que têm os produtos e as habilidades de que eles necessitam.



Via Global Opportunities, Jan. 2014.  Tradução: Hans Udo Fuchs.
https://fazendotendas.org

sábado, 27 de agosto de 2016

Ronaldo Lidório: Avaliando o avanço missionário mundial


Nas três últimas décadas, fomos positivamente bombardeados pela missiologia do avanço final, na qual Ralph Winter defendia uma abordagem em massa em direção aos 13 mil povos não alcançados da terra. Movimentos mundiais como o AD 2000 propuseram “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa até o ano 2000”.
Foram listados inicialmente mais de dez mil grupos sem uma igreja com pelo menos cem membros. Logo depois, missiólogos como Patrick Johnstone conseguiram fragmentar o estudo, identificando menos de quatro mil etnias totalmente não alcançadas, enquanto que a World Mission International, em uma avaliação mais recente, estimou que apenas 2.134 grupos étnicos não tenham hoje uma igreja entre eles. As estatísticas mostram que houve um incrível avanço missionário nos últimos 30 anos.
É inquestionável o avanço da igreja cristã, que, entre 1999 e 2000, obteve um índice de 6,1% em termos de crescimento global — o maior crescimento entre as principais religiões mundiais, incluindo o Islã. Também não podemos desconsiderar o avanço das missões que se puseram a encontrar, estudar e catalogar os grupos ainda não alcançados pelo evangelho, fazendo-nos saber quem eles são, onde estão, quantos são e quais as principais barreiras a vencer para alcançá-los.
É preciso, entretanto, compreender que enquanto antigas barreiras vão sendo derrubadas, novas vão se formando. Não vivemos em um mundo estático. Precisamos de uma missiologia mais ágil do que precisávamos há dez anos. Além disso, algumas das antigas barreiras não têm dado o menor sinal de mudanças. Permita-me citar quatro novas fronteiras com as quais, creio, lidaremos nas próximas duas ou três décadas:

1. A redoma de resistência e entre os não alcançados

Os povos que foram alcançados – dentre os 13 mil inicialmente propostos por Winter e McGavran – seguiram a regra da menor resistência; e esta é uma regra normal. Ou seja, em regiões onde havia três grupos não alcançados, acontecia a penetração missionária nos dois que demonstravam menor resistência, seja geográfica, política, religiosa, linguística, cultural ou espiritual. O mais resistente ficava para um segundo momento. Em linguagem simples, “coamos” esses 13 mil povos não alcançados.
Quando analisamos o avanço missionário entre os grupos nômades, por exemplo, percebemos que 90% deu-se entre os chamados seminômades, os quais apresentavam maior tolerância à abordagem missionária. De acordo com o Dr. David Philips, da WEC International (Missão AMEM), há ainda mais de 150 grupos nômades totalmente não alcançados no mundo. Atingimos, em regra, os menos resistentes. Menor resistência funciona em geral como uma lista de oportunidades no mundo missionário.
Portanto, o que temos em nossas mãos neste início de milênio não são simplesmente outros dois mil PNAs (povos não alcançados), mas os dois mil PNAs mais resistentes em toda a história do Cristianismo. Consequentemente, precisaremos agora de maior preparo missiológico, cultural e linguístico que os missionários de 50 anos atrás. Também precisaremos de nova motivação, pioneirismo e, sobretudo, da graça de Deus. Poderíamos chamar essa primeira fronteira de redoma de resistência.

2. O desdobramento étnico entre os isolados

O desdobramento étnico é uma expectativa comum em boa parte da antropologia mundial, mesmo entre os não cristãos. Ele parte do pressuposto de que a maioria desses dois mil grupos étnicos não alcançados nunca foram mapeados antropologicamente. Existe grande possibilidade de que cada nome nesta lista corresponda a bem mais do que apenas uma etnia. Comumente encontramos uma nação étnica na qual diversas tribos, falando dialetos similares e possuindo coexistência cultural, dividem o mesmo território. Assim aconteceu com os Frafras no Noroeste Africano. Descobriu-se que não formavam apenas um povo, mas, dois grupos distintos linguística e culturalmente. O segundo se intitulava Kassena. Os Natuis, da Papua Nova Guiné, tidos como um só grupo por pelo menos um século, na verdade constituíam sete diferentes etnias, vivendo em relativa harmonia e compartilhando o mesmo território. Alcançar um povo não pressupõe alcançar todos.
Esse fenômeno ocorreu em 70% dos grupos estudados cientificamente nos últimos 50 anos, atingindo uma média de desdobramento de 4,2 (de acordo com o Departamento de Antropologia da London University). Ou seja, em 70% dos grupos isolados que sofreram uma abordagem antropológica nas últimas cinco décadas, cada um escondia, em média, outros três grupos. É possível, portanto, que os nossos dois mil PNAs se tornem cerca de cinco a oito mil grupos étnicos. Ainda há um bom caminho a andar.

3. A incapacidade de evangelização local por igrejas locais

Outra nova fronteira com a qual deveremos lidar nas próximas duas décadas é a da incapacidade de evangelização local por igrejas locais. Nem todos os países do mundo experimentam um bom crescimento da igreja evangélica como o Brasil, a Coréia e a Nova Zelândia. Segundo David Barrett, existem mais de quatro mil grupos étnicos no mundo entre os quais a igreja local não se mostra forte o suficiente para alcançar seu próprio povo. É igualmente alarmante o número de pessoas nascidas em países não cristãos: 48 milhões por ano (Global Report Magazine).
É preciso passar esses quatro mil grupos por uma nova avaliação de avanço missionário. Caso contrário, terminaremos as próximas duas décadas com um número expressivo de etnias nas quais o evangelho já foi exposto, mas permanece desconhecido pela maioria. Seriam eles alcançados?

4. A vasta diversidade linguística entre grupos minoritários

Entre as 6.528 línguas vivas no mundo, possuímos a Bíblia completa em 366, o Novo Testamento completo em 928 e grandes porções da Bíblia em outras 918 línguas. Entretanto, de acordo com a Wycliffe Bible Translators, mais de quatro mil línguas não possuem sequer uma porção da Palavra, sendo que 70% delas podem ser definidas como minoritárias. Lidamos, então, com um fato da cultura cristã: tem se tornado cada vez mais difícil arregimentar força missionária para alcançar grupos étnicos minoritários. De acordo com o Ethnologue, quatro mil das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial.
Outro aspecto a ser lembrado é que dois bilhões de pessoas no mundo não conseguem ler ou escrever, seja por falta de alfabetização, seja por pertencerem a grupos ágrafos. Isso significa que não poderiam ler a Palavra mesmo que a tivessem em sua própria língua.
Considerando que um número cada vez menor de missionários tem tido tempo e estrutura suficientes para trabalhar simultaneamente na tradução bíblica e na alfabetização, corremos outro risco: terminarmos as próximas três décadas com porções da Palavra traduzidas para a maioria das línguas mundiais, ao mesmo tempo em que o índice de leitores nessas línguas diminui sensivelmente. Assim, teríamos mais traduções da Bíblia e menos leitores em potencial nas próximas 2.500 línguas mais necessitadas do evangelho.

Desafio

Nessa entrada de milênio, fomos mais uma vez bombardeados com um crescente número de propostas missiológicas visando apressar a conclusão do alcance do mundo que ainda desconhece o evangelho. Muitas foram novas ideias, novas propostas ou novas estratégias. David Hesselgrave nos alerta: “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espírito. Nem tudo o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga”. Ele defende que, neste imenso mar de necessidades no mundo não alcançado, precisamos entender que “o evangelho dá a direção… pois a Palavra precede a nossa visão”.
O desafio que temos pela frente estatisticamente pode ser descrito como dois mil PNAs que poderão ser fragmentados em um número até três vezes maior, mais de quatro mil línguas e dialetos sem porções da Palavra, cerca de 150 grupos nômades sem presença missionária, 118 tribos não alcançadas em nosso próprio país e 72% de todos os grupos intocados pelo evangelho vivendo em países com fortes limitações políticas e religiosas. É, portanto, parte da nossa missão conhecer tais barreiras, estudá-las e transpô-las, discernindo os tempos e as épocas para a glória de Deus.



Via: Veredas Missionária

terça-feira, 5 de abril de 2016

O perfil do missionário em um mundo turbulento


Dr. Jonatán Lewis

Vivemos nos melhores e nos piores tempos. Os avanços tecnológicos permitem a alguns viver vidas mais longas, mais produtivas, e com maior conforto que nossos antepassados. Porém, com todos os avanços tecnológicos, uma grande parte dos seis bilhões de habitantes deste mundo tem uma péssima qualidade de vida, alguns ao ponto de uma desumanização inacreditável. Os problemas sociais são enormes e endêmicos: a AIDS, a dúvida, o desmatamento, a contaminação ambiental, os refugiados, a guerras, o genocídio, a ameaça das armas biológicas e nucelares, o terrorismo etc. O secularismo, impulsionado pelos avanços científicos e a corrente do modernismo, não oferece soluções. Como força missionária, a estes desafios agregamos enormes correntes sociais, tais como o fundamentalismo religioso e sua hegemonia política em muitos países, que entorpecem nosso trabalho. Como realizaremos missões frente a esses tremendos desafios? Pode sobreviver o trabalho missionário? E se há de sobreviver, como se esboçará o missionário, sua missão, e o sistema que lhe envia e apoia nestes dias tão turbulentos?

Uma perspectiva escatológica

Em Mateus 24, frente à pergunta: Quando virá o fim? O Senhor Jesus descreve um mundo muito similar ao nosso. Porém apesar dos problemas descritos, no versículo 14 assevera que “Será pregado este evangelho do reino em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” Se entendemos missões como a gama ampla de tudo o que Deus faz para cumprir com a pregação do evangelho a todas as “nações”, então não resta dúvida de que Seu plano de “missões” vai continuar até o fim. Mas com esta declaração, também esclarecemos que “missões” pode realizar-se por qualquer meio que Deus queira utilizar. A meta da missão não muda, mas sim suas formas e normas.
Se a história se repete, Deus seguirá utilizando meios voluntários e “involuntários” para cumprir a sua meta. Ele utiliza a adversidade e os problemas como “oportunidades” para estender seu Reino. Em nosso mundo, a perseguição a crentes e a dispersão que é a sua consequência, segue sendo uma via missionária importante como já tem sido na história das missões (Ato 8.1).
Não só se estão mobilizando missionários como refugiados, porém Deus está movendo grandes populações de não-alcançados como imigrantes aos países povoados de cristãos com o propósito, segundo Atos 17.26,27, de que eles encontrem a Ele.
Não há dúvida que há muita missão transcultural a realizar-se entre esses imigrantes por parte da igreja, sem necessidade de enviar missionários a grandes distâncias. Deus elegeu utilizar a seu povo como agente principal para a evangelização mundial e realizará este trabalho de uma forma ou de outra (Gen 12.3; Ex 19.5,6).
Porém o outro lado do quadro é que Deus tem comissionado a seu povo com a tarefa da evangelização mundial, e cremos que lhe dá muito prazer e honra quando seu povo se organiza voluntariamente para realizar este trabalho. Dou graças a Deus que vi     vemos um dia em que as missões têm chegado a ser uma preocupação da igreja em todo o mundo. A visão de um movimento missionário “de todas as nações à todas as nações” tem impulsionado o ensinamento e a mobilização missionária a um nível global. Neste sentido, cremos que vivemos em um momento muito especial no plano de Deus, um momento quando quase todas as congregações e quase todos os crentes verdadeiros no mundo estão sendo conscientizados de sua responsabilidade de participar com protagonismo na tarefa global.
Este momento histórico também reúne condições que nos permitem asseverar que a Grande Comissão se pode cumprir em nossa geração. Forças tecnológicas nos permitem uma agilidade tremenda no envio e nas comunicações com os missionários e seus projetos, e a possibilidade de cobrir massivamente o globo terrestre com a Mensagem. Mas mesmo com essas ferramentas o trabalho não é fácil. Os missionários e suas organizações estão sendo afetados por grandes forças sociais, econômicas e espirituais que representam desafios e oportunidades nesta feroz guerra espiritual.

As forças da Globalização Tecnológica

Quase trinta anos atrás, um futurista popularizou o conceito de “aldeia global”. A realidade é que vivemos em um mundo pequeno. Pela influência das comunicações instantâneas, nos inteiramos do que se passa com todos os “vizinhos”. Dentro de poucas horas, vemos transmitidas por satélites imagens de qualquer acontecimento catastrófico acontecido no mundo, das consequências do terrorismo, de guerras, de secas, terremotos, e com todo o horror do momento. Hoje podemos receber canais de televisão de todo o mundo em nossos lares. Por meio da internet, temos acesso à notícias de quase qualquer país e cidade. Pelo mesmo meio, podemos pesquisar qualquer tema que nos possa interessar. O telefone celular abre as possibilidades de comunicarmo-nos com quem quisermos em todo o globo terrestre. E já entramos na era em que os telefones vêm armados com sistemas de vídeo para vermos a pessoa com quem estamos nos comunicando.
A tecnologia sem dúvida tem mudado o perfil do missionário. A habilidade no uso da internet é indispensável. E como parte de seu equipamento vai o computador que permite acesso ao correio eletrônico e leva em si quase todos os outros elementos que tem chegado a ser quase indispensáveis para a obra. O correio eletrônico permite comunicações quase instantâneas com sua igreja local, sua família e seus amigos de uma maneira eficiente e econômica. Hoje é possível conversar com um amigo em outro continente sem custo, utilizando o computador. A facilidade e efetividade destes meios de comunicação aumentarão durante os próximos anos e serão cada vez mais acessíveis a todos os cidadãos de nosso planeta.
O transporte é outro meio que tem diminuído nosso planeta. Hoje, se pode viajar de qualquer país do mundo e estar em qualquer outro país dentro de 24 horas. Ainda que as passagens aéreas pareçam caras, em comparação com o que historicamente custou viajar, são realmente baratas. Quando William Carey navegou da Inglaterra até a Índia em 1790, a passagem para ele e sua equipe custou o equivalente a 50 anos de um salário mínimo. Hoje, a mesma viajem (dessa vez por via aérea) custa uma fração de um salário mensal (em termos de países desenvolvidos). Vivemos numa época em que todo mundo viaja ao redor do mundo e a possibilidade de mover uma família de um lugar a outro é relativamente fácil e econômica.
Outro grande avanço na globalização é a transferência de divisas e valores eletronicamente. Hoje em dia, qualquer um que obtenha um cartão de crédito pode utilizá-lo para retirar dinheiro em milhares de caixas automáticos em todo o mundo. Todos os produtos são mais acessíveis com “o cartão”. O comércio utilizando a internet e cartões de crédito, cresce vertiginosamente. Quando Hudson Taylor serviu na China em meados do século XIX, uma carta demorava seis meses para chegar e se havia alguma necessidade econômica, levaria um ano inteiro entre avisar os irmãos e receber o dinheiro. Hoje as comunicações e as transferências eletrônicas permitem a atender o missionário de um dia para o outro.
Há muitos que resistem aos avanços tecnológicos. Os mesmos lhes atribuem um valor moral. Porém a tecnologia, como o dinheiro, a influência, e quantas outras coisas, podem ser utilizadas para o bem ou para o mal. O apóstolo Paulo utilizou os meios tecnológicos ao seu alcance (como passagens em barcos e a palavra escrita) para realizar a tarefa de evangelização. Não duvidemos que os avanços tecnológicos devem utilizar-se para o avanço do Reino. Os elementos tecnológicos da globalização nos facilitam e possibilitam a obra missionária.

O Perfil das Agências Missionárias

A história de missões nos apresenta várias estruturas que se tem utilizado para recrutar, enviar e manter a força missionária. É certo que as estruturas utilizadas para mobilizar voluntários para a missão, historicamente, sempre têm tomado seu padrão de estruturas já existentes na sociedade. Pode surpreender a alguns que os movimentos monásticos seguiram o padrão militar com o propósito de levar a cabo a expansão da igreja. Utilizando este modelo, os jesuítas puderam avançar a causa em lugares tão remotos como Paraguai, Japão, China e Canadá. Os celtas da ilha britânica adotaram este modelo para a evangelização de todo o norte europeu.
O movimento “moderno” protestante que nasceu em fins do século XVIII, utilizou estruturas que correspondiam ao modelo empresarial que surgiu em sua geração. As “sociedades” que se criaram foram manejadas com os critérios que correspondiam ao padrão comercial. Eventualmente, essas estruturas foram modificadas com o correr do tempo. Hoje em dia, falamos de “agências missionárias” que se manejam em muitos sentidos, como empresas modernas. Adotaram muito das ciências sociais como o manejo por meio de objetivos e os sistemas de manejo de pessoas contemporâneo. Se queremos entender de onde procedem as estruturas missionárias, é importante entender de onde procedem as instituições “seculares” e o efeito geral que tem a globalização sobre elas.

Mudanças nas forças estruturais nos últimos anos

Nos últimos anos, se tem visto uma grande mudança na estruturação de empresas. A direção da mudança é de estruturas piramidais com vários níveis de supervisão para estruturas planas com menos níveis hierárquicos, de onde os que realizam o trabalho têm mais controle sobre as decisões que afetam diretamente o seu trabalho. Algumas grandes empresas se administram como uma coleção de microempresas. Cada unidade é avaliada por sua eficácia. Quando não cumpre as metas, essa unidade se reorganiza ou é encerrada.
As missões também estão sentindo o efeito da descentralização de controle. Novas agências nos países históricos de envio que têm seguido essas inovações, têm crescido e prosperado. Lançam equipes ao campo e permitem que estas tomem as decisões que afetam sua obra. Agências que não puderam adaptar-se e seguem o padrão hierárquico com tomada de decisões centralizadas, tem diminuído em membresia e em muitos casos, se tem visto forçados a abandonar sua autonomia e fundir-se com outras agências para sobreviver.
Os efeitos da globalização reforçam o modelo descentralizado em que até mesmo as igrejas locais podem enviar missionários sem depender de agências. Com a possibilidade de comunicação, transporte fácil e barato, o envio direto do missionário e seu sustento, muitas igrejas têm preferido não utilizar as agências que historicamente realizaram essas funções, entre outras.
A descentralização de agências, com equipes que funcionam com certa autonomia no campo, é talvez o bem mais valioso desta tendência estrutural. Isso permite flexibilidade e a agilidade necessária na tomada de decisões que requerem a situação local em um mundo em mudança. Mas é importante destacar que essas equipes necessitam de supervisão, apoio e cuidado por pessoas experimentadas nas exigências e desafios da obra missionária na região onde servem. Ainda que as funções das agências missionárias tenham mudado em razão dos avanços tecnológicos, não se dispensou sua necessidade. Igrejas que enviam missionários sem contar com esse apoio, na maioria dos casos, perdem tempo e recursos. Historicamente, o ‘micromanejo’ da obra no campo pela igreja local com frequência leva à ineficácia e fracasso.

A Força das Alianças Internacionais

A globalização também tem afetado as empresas. A cada dia se escutam notícias de grandes empresas internacionais que historicamente foram competidoras, agora unindo esforços e formando sociedades para trabalhar em conjunto. Volkswagen e Ford produzem um automóvel em conjunto, linhas aéreas se unem às suas ex-competidoras para formar uma aliança estratégica que pode captar uma maior proporção do mercado global.
As Missões também estão formando alianças estratégicas localizadas em grupos culturais ou geográficos. Dezenas de alianças tem surgido entre grupos cristãos com origens muito variadas. Foram apagadas muitas das barreiras denominacionais e não é muito estranho ver uma equipe missionária que contém batistas, pentecostais e presbiterianos trabalhando em conjunto. Nesta mesma equipe pode haver mexicanos, filipinos e canadenses. Frente a esta realidade, o missionário eficaz cultivará uma atitude ampla em relação a seus companheiros de batalha.
O missionário que trabalha nesse ambiente tem que ser flexível e tratar de entender e apreciar as diferentes perspectivas doutrinárias e culturais. Isso requer humildade e habilidade de ver a meta de almas achegadas ao Senhor por meio do testemunho e trabalho da equipe. O egoísmo e a ambição pessoal, não funcionam nesse mundo de colaboradores.

A Força do Pluralismo e o Fanatismo Religioso

Nem todo mundo está de acordo que Cristo é o Senhor. Os seguidores de outros profetas e mestres são numerosos. Dos seis bilhões de habitantes na Terra, somente um terço se identifica como cristão. No Ocidente, o pluralismo religioso “respeita” o direito de cada um de crer em qualquer deus e religião. A relatividade diz que “se é verdade para você, é sua verdade”. “Porém sua verdade não é necessariamente minha verdade, senão aquilo que eu interpreto como verdade.” Qualquer proclamação de Cristo como único Senhor pode ser repudiada e ainda condenada como intolerante. Mais de um julgamento foi realizado com base em alegações de "angústia emocional" provocada pela pregação da condenação do pecador, frente a um Deus justo. O fato de que o pregador também revela a salvação oferecida em Cristo não é suficiente para justificar os evangelistas que são acusados de usar “pressão psicológica” para ganhar partidários.
Do mesmo modo, os missionários em países onde dominam as grandes religiões como o Islã, o Budismo e Hinduísmo, estão sendo atacados por uma nova onda de fundamentalismo. Paralelamente, a “retribalização” do mundo é um fato que tem tido suas piores expressões nos terríveis massacres em nossa história recente. A brutal carnificina em Ruanda e os conflitos bélicos dos países bálticos são exemplos de uma corrente global que cada vez mais quer manifestar sua própria identidade racial, religiosa e cultural. E esses estão dispostos à matança e ao genocídio para obtê-lo.
Neste ambiente, o pregador de uma religião estrangeira não é bem-vindo. As igrejas cristãs minoritárias nesses países se veem sob perseguição aguda e os missionários tem sido expulsos e expostos ao martírio. O missionário tem que enfrentar essas realidades com a sabedoria da serpente e a inocência da pomba.

O Perfil Missionário com as Duas Mãos

As forças sociais de oposição não podem ser enfrentadas com conceitos tradicionais do missionário do século XX. Os países onde vivem as grandes maiorias de inalcançados não permitem a entrada de missionários tradicionais. Frente a essa realidade, se tem revitalizado o conceito do missionário bi-ocupacional, o missionário que vai a outro país com a Palavra em uma mão e sua ferramenta de serviço na outra. Lamentavelmente, a abordagem a esta questão tem sido em grande parte pragmática sobre como resolver o problema para entrar e viver no país. Essa orientação se tem comprovado deficiente em suas considerações éticas e teológicas. O fracasso desta abordagem nos chama a uma profunda reflexão sobre a cosmovisão “cristã” popular, que propaga a falsa dicotomia entre o “sagrado” e o “secular”. A posição bíblica é que tudo o que fazemos é “sagrado” se o consagramos a Deus. Todos estamos chamados a realizar nossa vocação por meio de todas as nossas ocupações e não apesar delas (1Co10.31). Para isso, a igreja necessita mover-se para eliminar de uma vez a distinção entre ministros laicos e profissionais, completando o que a “Reforma Protestante do Século XVI” começou, com seu ensino sobre o sacerdócio santo de cada crente (1Pe 2.8). Só assim se lançará a tremenda força missionária latente da igreja.
Tomado pelo aspecto prático, o sistema bi-ocupacional para o envio e sustento do missionário é talvez o que mais potencial oferece aos movimentos missionários dos países de menores recursos. A maioria dos grupos não alcançados se encontra nos países mais pobres do mundo. Com uma larga história de fracassos no apoio econômico direto aos governos destes países, os países desenvolvidos se tem voltado para o uso de organizações não governamentais (Ongs) e Fundações na canalização de apoio econômico e social. A igreja está descobrindo este meio para inserir obreiros bi-ocupacionais e assim realizar suas metas. A oportunidade é enorme e a igreja tem que fazer muito mais, para aproveitar-se disso.
Ainda que existam vários canais para os bi-ocupacionais, não restam dúvidas de que essa pessoa terá que se capacitar adequadamente. A experiência demonstra que tomar uma profissão simplesmente como “cobertura” para estar em um país, é incoerente com a meta de ser testemunha de Cristo nesse lugar. As melhores testemunhas são as que realizam seu trabalho profissionalmente, e também se tem capacitado para realizar a obra de Deus nesses lugares. Ambas linhas de capacitação são necessárias.

As Forças Espirituais do Maligno

Hoje a igreja está despertando para a necessidade de enfrentar diretamente as forças satânicas que tem cegado os olhos de milhões, por milênios. A igreja sempre tem tido os dons e sempre tem possuído as armas espirituais. Porém nem sempre as utilizou com um enfoque maior. Graças a este despertar para a guerra espiritual, o enfrentamento de potestades e poderes está sendo encarado de forma específica e sistemática. Na medida em que a igreja se mobiliza para marchar sobre seus joelhos e levanta guerreiros espirituais, terá êxito na grande luta pelas almas de milhões. Há muitos que acreditam que as expressões das forças malignas aumentarão ao aproximar-se o fim. Vão lutar de forma desesperada para manter sua autonomia e deter seu castigo eterno.
O perfil do missionário hoje é o perfil de um guerreiro. Necessita saber manejar as armas espirituais com maior eficácia para defender-se, e para aplicá-las na libertação dos que vivem debaixo do poder do maligno.

Conclusões

Como se apresenta o ministério missionário diante dos desafios de hoje? Não há dúvida que será distinto de seus precedentes. Deus cumprirá Seus propósitos com ou sem o esforço voluntário da igreja. Porém seu povo vive um momento especial que permite a alegria de crer que se pode cumprir a Grande Comissão dentro desta geração. A igreja global está captando a visão. As forças da globalização tem provido ferramentas que facilitam a comunicação, a mobilização e o envio de recursos. As estruturas de envio também serão mais ágeis, apoiadas pela flexibilidade e acesso que provém desses meios. A organização missionária será descentralizada e disposta a uma colaboração entre crentes de diversas origens e denominações. Alianças estratégicas serão forjadas no solo não só entre grandes entidades, mas também entre igrejas pequenas que juntas podem realizar projetos que sozinhas não empreenderiam. Tomadas por uma visão de evangelizar aos povos que não escutaram a mensagem do Evangelho “até o último da terra”, unirão esforços com quem não poderiam imaginar-se trabalhando poucos anos atrás. Por tudo isso, adoramos a Deus.
Por outro lado, a dificuldade da tarefa de evangelização aumentará. A resistência dos movimentos nacionalistas e das filosofias pluralistas identificarão o missionário como “o inimigo cultural número um”. O preço será a rejeição e o martírio. As perseguições sobre as igrejas minoritárias aumentarão. A única consolação é saber que Deus       utilizará este sofrimento para Sua glória (Ap 6.9-11). Na oposição e no martírio, a missiologia e as bases teológicas em que se baseia renovarão seu compromisso com o Cristo do Novo Testamento e o compromisso que isso demanda. Só assim se conseguirá “fazer discípulos de todas as nações”. E frente a um inimigo desesperado, aumentará a quantidade e a qualidade de guerra espiritual para libertar as almas.
Que o movimento missionário seguirá em frente, não há dúvida. Deus é o que se encarrega de ver que Sua palavra se cumpra. E foi Ele que nos assegurou que “Será pregado este evangelho do reino em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim”. Que o povo de Deus seja fiel a seu chamado e desenvolva seu compromisso voluntariamente com todas as vantagens tecnológicas que temos hoje, mas também com o sacrifício e o compromisso que demanda evangelizar nosso mundo turbulento.

A Ele seja a glória, a honra e o domínio para sempre.

Tradução de Sammis Reachers / Veredas Missionárias, a partir do original em espanhol publicado por COMIBAM (http://www.comibam.org/wp-content/uploads/2016/02/el_perfil_del_misionero.pdf )

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Dr. Jonathan Lewis nasceu em 1949, filho de pais missionários em Buenos Aires, Argentina. Durante sua carreira profissional viveu e trabalhou em Honduras, Peru, México e Argentina. Jonathan está casado com Dawn por quase 35 anos e tem quatro filhos: Natanael, Heather, Josías e Anneliese.

Fonte: Veredas Missionária

sábado, 19 de março de 2016

O Emocionante "Agora" da Missão Cristã


Apenas pense nisso. O Deus do universo focou sua revelação especial e obra de redenção em um pequeno povo étnico, Israel, por 2000 anos - do chamado de Abrão em Gênesis 12 à vinda de Cristo. Por todo aquele tempo, "... permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;" (Atos 14:16).

Então na entrada de seu Filho no mundo, tudo mudou.
Quando Jesus estava saindo para retornar ao paraíso ele disse: "... que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém." (Lucas 24:47). "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;" (Mateus 28:19). Essa foi uma mudança-chave na história do mundo.
Plano Diligente De Deus

Mas o mandamento de discipular todas as nações não foi uma reflexão tardia. Foi um plano desde o momento que Deus escolheu Israel. Deus disse a Abraão: "Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gênesis 12:3)
Paulo aplicou isto ao evangelho da justificação por meio da fé em Cristo: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos." (Gálatas 3:8). Então, Deus estava se aprontando para alcançar as nações com o evangelho de Cristo quando ele escolheu Abrão 2000 anos antes da vinda de Cristo.
Por que, então, uma espera tão longa, até a vinda de Cristo e da Grande Comissão, que foi estabelecida em seu nome?

Qual o motivo da longa espera?

Porque na sabedoria de Deus, ele sabia que as nações do mundo iriam compreender a natureza de Cristo e sua obra melhor em uma situação que tem a história de 2000 anos de Israel com lei e graça, fé e falha, sacrifício e expiação, sabedoria e profecia, misericórdia e julgamento.
Aqui está o modo com que Paulo colocou isso em Romanos 3:19-20: "Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundoseja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado." Em outras palavras, Deus falou por 2000 anos a Israel de maneira que "todo o mundo" perceberia que não há esperança de estar certo perante Deus "por obras de justiça praticadas por nós". (Tito 3:5)

Livro de Lição Para As Nações

A história de Israel não é apenas sobre Israel. É sobre "toda boca" e "todo o mundo". Este não foi um desvio de 2000 anos. Deus estava escrevendo um livro de lição para as nações. Não é um acidente que nossa Bíblia tenha um Antigo Testamento.
Quando Paulo pregou aos gregos não judeus em Areópago ele disse que até agora os "tempos da ignorância" dominavam. Deus deixou eles seguirem os seus próprios caminhos. Mas não de agora em diante. "Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (Atos 17:30-31).

O "Agora" de Todas As Nações

Esse é o "agora" em que vivemos. E é um "agora" emocionante. "Agora, Deus notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam." O Cristo ressurreto autoriza esse mandamento. Ele vai estar conosco até o seu cumprimento.
Nós vivemos no "agora" de "todas as nações". Deus preparou esse momento por 2000 anos antes de Cristo. Ele tem perseguido isto por 2000 anos depois de Cristo. Jesus está vivo e tem poder para salvar. E está no tempo da colheita.

Fonte: Veredas Missionárias

sábado, 12 de dezembro de 2015

John Piper: Como devemos amar os muçulmanos

Há muitas respostas para essa questão como também maneiras de fazer o bem e não o mal. “O amor não pratica o mal contra o próximo” (Romanos 13,10). “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13,7). Aqui, há algumas coisas que me parecem precisar ser enfatizadas em nossa época.


Atualização: a menção de amar nossos inimigos não significa que todos os muçulmanos se sintam inimigos ou se comportam com hostilidade em relação aos cristãos. Eles não são assim. Eles são frequentemente receptivos, gentis e afetuosos. O fato é que, mesmo quando alguém nos trata com hostilidade (seja de qual religião for ou que não tenha religião), devemos continuar a amá-los.
Outro esclarecimento é necessário em nosso contexto hoje. Quando digo que o amor nos desafia a fazer o bem de formas práticas que satisfaçam às necessidades físicas, não quero dizer que essa ajuda é oferecida sob a condição de que os mulçumanos se tornem cristãos. O amor prático é um testemunho do amor. O testemunho não pode ser refreado onde ele é mais necessário. Conversões coagidas pela força ou finanças contradizem a natureza essencial da fé salvadora. A fé salvadora é a espontânea aceitação de Jesus como nosso Salvador, Senhor e o mais sublime tesouro. Ele não é um meio para se alcançar o tesouro. Ele é o tesouro.

1. Ore por eles pela bênção plena de Cristo, se eles o amam ou não
Lucas 6.28: Bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.
Romanos 12.14: Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis.
1 Coríntios 4.12: Quando somos injuriados, bendizemos.

2. Faça o bem a eles de maneiras práticas que satisfaçam às suas necessidades físicas
Lucas 6.27: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam.
Lucas 6.31: Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles.
1 Tessalonicenses 5.15: Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos.
Romanos 12.20: Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isso, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.

3. Não revide quando ofendido pessoalmente
1 Pedro 3.9: Não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois, para isso mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção…
Romanos 12.17-19: Não torneis a ninguém mal por mal […]. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: “A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”.

4. Viva em paz com eles, enquanto depender de você
Romanos 12.18: Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.

5. Busque, em prol deles, a feliz libertação do pecado e da condenação falando-lhes sobre a verdade de Cristo
João 8.31-32: Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

6. Deseje sinceramente que eles se juntem a você no céu com o Pai por lhes mostrar o caminho, Jesus Cristo
Romanos 10.1: Irmãos, a boa vontade do meu coração […] a favor deles são para que sejam salvos.
João 14.6: Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.
João 3.16: Para todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.

7. Procure compreender o sentido do que eles dizem para que suas afirmações ou críticas sejam baseadas no verdadeiro conhecimento e não em uma distorção ou caricatura
1 Coríntios 13.6: O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade

8. Avise-os com lágrimas que, aqueles que não recebem Jesus Cristo como o Salvador crucificado e ressuscitado que tira os pecados do mundo, perecerão sob a ira de Deus
João 1.12: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus […]
Romanos 10.9: Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, crerdes que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Filipenses 3.18: Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.

9. Não lhes engane ou lhes dê falsa esperança por dizer: os muçulmanos adoram o verdadeiro Deus
Essa afirmação apresenta a quase todos uma imagem positiva do coração muçulmano, pois eles afirmam que conhecem, amam e reverenciam o verdadeiro Deus. Mas Jesus faz da reação de uma pessoa a ele próprio o teste decisivo da autenticidade da reação da pessoa a Deus. E Cristo é explícito ao afirmar que, se uma pessoa o rejeita como Deus — que concede vida como resgate pelos pecados e ressuscita novamente — essa pessoa não conhece, ama ou reverencia o verdadeiro Deus.

João 8.19: Então, eles lhe [Jesus] perguntaram: “Onde está teu Pai?” Respondeu Jesus: “Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.
João 5.23: Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.
João 5.42-43: [Jesus disse] Sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis […].
O amor não induzirá os muçulmanos ao erro ou por aqueles que se preocupam com os muçulmanos aos lhes falar que não conhecem, reverenciam ou amam o verdadeiro Deus se não recebem a Jesus pelo que realmente ele é. Não podemos ver os corações das pessoas. Como podemos saber se conhecem, reverenciam e amam o verdadeiro Deus? Dedicamos nossas vidas para lhes oferecer Jesus. Se o recebem, eles conhecem, amam e reverenciam a Deus. Se não, então não o fazem da forma Ideal. Jesus é o teste.
Esse é o ponto central das palavras de Jesus em Lucas 10.16: “Quem me rejeitar, rejeita aquele que me enviou”. E em Mateus 10.40: “Quem me recebe, recebe aquele que me enviou”. E em João 5.46: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim”.

A ação mais amável que poderíamos fazer pelos muçulmanos, ou alguém mais, é lhes dizer toda a verdade sobre Jesus Cristo no contexto do cuidado sacrificial por eles e a disposição em sofrer por eles em vez de abandoná-los, e então, suplicar-lhes que abandonem a vã adoração (Marcos 7.7) e recebam a Jesus Cristo como o Salvador crucificado e ressuscitado para o perdão dos pecados e a esperança da vida eterna. Essa seria nossa grande alegria — ter irmãos e irmãs de todos os povos muçulmanos do mundo.

Fonte: Veredas Missionarias 

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